O meu patrão é um homem bom. Deve a toda a gente, mas é bom, diz ele, na boca dele e só dele, quando de si fala… Não procura trabalho porque é humilhante andar a pedinchar trabalho por aí, como se necessitado fora. Ao invés, procura que o trabalho lhe caia no colo, singelamente, já laminado, sem ivas nem impostos, por debaixo da mesa se possível e sem muito trabalho… é, na verdade, uma verdadeira vedeta das nossas PME’s. Um assombro…
A mulher, também é funcionária, uma coisa fora-de-série, porque só ela apenas, absorve o ordenado de três funcionários, mas em compensação é uma das telefonistas mais bem pagas do mundo, pois só sabe falar ao telefone e desde que não sejam credores, pois aí já não está, saiu, e não sabe quando volta, extraordinário…
Por isso ele deve aos que ainda, poucos, que lá trabalham, aos fornecedores que já não lhe dão crédito e que ele tanto resmunga, “como é possível, um gajo que gasta tanta coisa destes gajos”, pois mas também não paga o que compra… às finanças, à segurança social, aos que em tribunal os meteram e que por ordem judicial têm obrigações e cheques para cumprir até ao final do ano, e um rol enorme de enormidades sem nexo de pura e má gerência dos ganhos, independentemente da crise evidente que existe, e é inegável.
Em suma, com o que já vi e vivi, e do que penso e já pensei, vou começar a rentabilizar os meus dias procurando trabalho, pois quantos mais dias eu trabalhar para este patrão, mais dias vou ficar sem ganhar, e ao fim ao cabo o resultado, e mais tarde direi, será este: “vai aguentando a empresa enquanto pode, com alguns trabalhitos e dois ou três funcionários, desde que um deles seja o encarregado (o coração da empresa), vai fazendo alguma coisa, até ao final do ano e cumprir as obrigações judiciais e às quais não pode fugir, por processos que já transitaram em julgado, e no fim do ano, saldadas as dívidas mais prementes, vai dizer a quem lá trabalha, se calhar com cinco ou seis meses de atraso e subsídios de há dois anos para receber, que afinal correu mal e não há nada a fazer. Lamento”
Quero ver se saio antes disso, porque se agora já custa o que perdi, imagino daqui a meia dúzia de meses, a dor que não seria… e as contas mantêm-se.
Curiosidadades à parte, o dito cujo não deixou de ir ver os jogos do glorioso ou as touradas em Portugal e em Espanha, nem tão pouco de viver como sempre viveu… Afinal, qual de nós é parvo nesta história, eu, claro, e alguns demais, poucos…
sexta-feira, 19 de junho de 2009
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